Até que Ponto o Tempo de Pega Pode Ser Prolongado sem Afetar a Resistência Final do Concreto?
Retardar a pega do concreto é essencial em obras que necessitam de mais tempo de trabalhabilidade, especialmente em clima quente ou quando há grandes distâncias de transporte. Com o aditivo retardador de pega, a hidratação do cimento não é interrompida, mas sim desacelerada, garantindo que o concreto chegue ao estado endurecido de maneira controlada. Desde que a dosagem seja adequada, a resistência final não sofre prejuízos significativos. Contudo, prolongar demais esse tempo pode trazer riscos, como exposição prolongada a intempéries e atrasos na desforma. Por isso, a conciliação entre testes de laboratório, boas práticas de cura e monitoramento da temperatura é imprescindível para garantir o melhor desempenho estrutural.
3/17/20253 min read


Controlar o tempo de pega do concreto é crucial em muitos projetos, principalmente quando a logística ou as condições ambientais exigem que a mistura permaneça trabalhável por um período mais longo. No entanto, surge a dúvida: até que ponto é possível retardar essa pega sem comprometer a resistência final do concreto? Neste conteúdo, abordaremos os fatores que determinam esse equilíbrio e como o aditivo retardador de pega pode ser dosado de forma segura para manter o desempenho estrutural.
O que Significa Retardar a Pega?
A pega do concreto ocorre quando a pasta de cimento deixa de ser plástica e começa a endurecer. Retardar esse processo significa aumentar o intervalo de tempo entre a mistura dos ingredientes (cimento, água, agregados e aditivos) e o início do endurecimento. Essa estratégia é viável por meio de aditivos químicos que interagem com a hidratação do cimento, reduzindo a velocidade de formação de compostos endurecedores.
Fatores que Influenciam a Resistência Final
A resistência final do concreto está atrelada principalmente à reação de hidratação do cimento. É nessa reação que se formam compostos como o C-S-H (silicato de cálcio hidratado), responsáveis pela capacidade de suporte de cargas. Quando retardamos a pega:
A hidratação não é interrompida, apenas retardada: no final, o cimento hidrata normalmente, gerando a mesma quantidade de produtos de hidratação.
O que pode mudar é a velocidade com que algumas propriedades são atingidas, como resistência inicial (1, 3 ou 7 dias). Porém, a resistência aos 28 dias ou em idades superiores tende a se manter ou apresentar variações pouco significativas, se o retardo estiver dentro dos limites adequados.
Até que Ponto Podemos Prolongar a Pega?
Não existe um valor universal, pois o comportamento varia conforme o tipo de cimento, a reatividade, a dosagem do aditivo retardador de pega e as condições de obra. No entanto, de forma geral:
Retardos moderados, na faixa de algumas horas, tendem a não prejudicar a resistência final, mantendo-se muito próximos da curva normal de endurecimento.
Retardos excessivos, acima de 12 a 24 horas, podem gerar riscos de quedas na resistência inicial, além de possíveis patologias se o concreto for exposto a variações climáticas ou a condições de cura inadequadas.
A recomendação é sempre realizar ensaios de laboratório e amostragens no canteiro de obras antes de aplicar o aditivo em grande escala. Esses testes permitem avaliar o tempo de pega, o desenvolvimento de resistência e a trabalhabilidade.
Boas Práticas para Evitar Perda de Resistência
Dosagem Correta: é fundamental seguir as instruções do fabricante do aditivo retardador de pega, ajustando a quantidade ao tipo de cimento e às condições ambientais.
Monitoramento de Temperatura: climas muito quentes aceleram a hidratação, enquanto climas frios retardam. O aditivo deve compensar essas variações sem levar ao extremo da sobrecarga de retardo.
Cura Adequada: mesmo com o retardo, garantir a cura úmida ou outro método de proteção ajuda a preservar a hidratação do cimento, garantindo que a resistência final não seja comprometida.
Compatibilidade com Outros Aditivos: quando utilizado em conjunto com superplastificantes ou redutores de retração, por exemplo, é essencial verificar a compatibilidade para que um produto não anule ou potencialize inadequadamente o outro.
Benefícios do Retardo Controlado
Trabalhabilidade Estendida: assegura um concreto fresco por tempo suficiente para lançamento em grandes volumes ou em locais de difícil acesso.
Melhor Acabamento: ter mais tempo para sarrafear e desempenar a superfície resulta em um acabamento mais uniforme e livre de falhas.
Menor Risco de Juntas Frias: em concretagens prolongadas, mantém-se a sequência de lançamento sem que camadas anteriores endureçam antes da hora.
Riscos de Prolongar Demais o Tempo de Pega
Exposição a Intempéries: se o concreto demorar muito para “pegar” e não houver controle ambiental (chuvas, ventos, calor excessivo), podem surgir patologias como fissuras de retração plástica.
Falta de Resistência Inicial: em certos casos, pode ser necessário retirar fôrmas rapidamente ou submeter a estrutura a cargas precocemente. Um retardo exagerado pode atrapalhar esse processo.
Aumento de Custos de Segurança: manter equipes e equipamentos parados aguardando o endurecimento ou cuidar de formas por mais tempo também pode encarecer a obra.
Retardar a pega do concreto de forma controlada não afeta negativamente a resistência final, desde que a dosagem do aditivo e as condições de cura sejam bem gerenciadas. Realizar ensaios prévios, ajustar a quantidade de aditivo e acompanhar a evolução da resistência garantem um processo seguro e confiável.
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